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Meditação ajuda crianças a encarar frustrações da vida, diz professora...

 

Há pouco mais de dez anos, a administradora Daniela Degani, 43, sentiu que precisava colocar o pé no freio. O acúmulo de funções nas atividades profissionais, pessoais e familiares resultou em uma crise de estresse que ela não sabia como lidar. Já não conseguia mais se concentrar, vivia infeliz e não conseguia manter atenção plena.

Depois de ler a respeito, ela resolveu procurar pela meditação como forma de restaurar o equilíbrio. “Depois de um tempo, você sente que a meditação ajuda a lidar com o que acontece na sua vida. Ela não muda o curso dos fatos, mas treina a mente para encará-los”, diz.

Na época, ela tinha dois filhos e, com a mente mais aliviada, começou a perceber como o estresse se manifesta na vida das crianças. “Os assuntos são diferentes, mas eles também encaram uma série de situações que são demandantes, emocionalmente falando”, explica.

Estudos mostram que técnicas de meditação controlam o estresse de crianças, reduzindo a ansiedade e melhorando a atenção. Existe até uma pesquisa que diz especificamente que a ansiedade tem uma redução significativa até uma semana após a sessão de meditação com atenção plena.

 

Informações eram escassas

Na época existia pouca informação sobre meditação para crianças. “Li alguns livros em inglês, apliquei em casa e vi o quanto isso foi beneficiando meus filhos. Não tinha nada em português na época”, lembra.

Ela foi buscar capacitação no instituto Mindfulness, nos Estados Unidos, e começou a aplicar o método em escolas, que é um ambiente de alto estresse para crianças. “Para minha surpresa, a receptividade foi ótima”, afirma.

No início, ela começou com alguns grupos de meditação com crianças, a maioria filhos de meditadores. Com o tempo, o público foi se expandindo.

Em 2015, Daniela começou a promover meditação em escolas e capacita professores. “A meditação cultiva e fortalece habilidades para a vida. Realmente vejo como algo positivo a se ensinar as crianças a usar essas habilidades”, explica.

 

Método é diferente a cada fase

Daniela afirma que as práticas precisam ser adaptadas para cada faixa etária. “Qual criança vai ficar parada durante quinze minutos? Não precisa! As técnicas são adaptadas para o universo infantil e estruturadas de formas diferentes para que ela queira participar”, explica.

Pedir que a criança pequena coloque um boneco ou pelúcia para dormir é uma forma de estimular a meditação. Daniela orienta que a criança coloque o brinquedo sobre a barriga e expire e inspire profundamente para “ninar” o boneco. A respiração profunda ajuda a ter uma boa noite de sono.

“Quando eles ficam maiores, já precisa ser mais explicativo. Eles querem saber o que estão fazendo. Chegamos a falar de neurociência, como a meditação ajuda a transformar o cérebro”, diz.

 

Como fazer em casa

A especialista deu algumas dicas para que as crianças possam iniciar a meditação em casa e se prepararem para lidar com questões do dia a dia.

A primeira recomendação é ter um cantinho da meditação. Escolha um lugar da casa que será destinado à prática. O espaço não precisa ter nada demais: a criança apenas deve se sentir bem lá. Usar o mesmo lugar sempre ajuda a criar o hábito.

Antes de iniciar com as crianças, reserve uns minutos para você mesmo inspirar e respirar profundamente. Conecte-se com sua motivação para meditar com a criança, torne o processo um ato conjunto.

A posição ideal é sentar sobre o chão ou uma almofada, com as pernas cruzadas, as costas eretas e as mãos sobre os joelhos. No início, as crianças poderão ficar inquietas, mas aos poucos, com o seu exemplo, começarão a passar mais tempo nessa posição.

 

Artigo publicado no site VIVA BEM.

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